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Agentes de IA começam a substituir o sistema que você paga

há 11 minutos
4 min de leitura
Formigueiro em macro simbolizando agentes de IA substituindo softwares nas empresas
Em 15 segundos
  • Uma startup levantou US$ 77 milhões para agentes de IA que já substituem sistemas inteiros dentro de empresas grandes.

  • O software não some, ele vira banco de dados: quem faz o trabalho passa a ser o agente que consulta e atualiza esse sistema por baixo dos panos.

  • A decisão desta semana é mapear qual sistema pago pela sua empresa já poderia virar só isso, um banco de dados nas costas de um agente.

Toda distribuidora de porte médio conhece a cena.

O sistema de gestão chegou prometendo resolver tudo: pedido, nota fiscal, estoque, financeiro, CRM, um módulo pra cada departamento. Na prática, a equipe usa três ou quatro telas todo santo dia. O resto fica parado.

Imagine uma distribuidora hipotética pagando R$ 1.800 por mês por um pacote assim. Só pedido, nota fiscal e estoque são realmente usados. É dinheiro saindo por um serviço que a empresa mal explora.

Esta semana, uma notícia do Vale do Silício deu nome a essa sensação.

Uma startup levantou 77 milhões de dólares pra provar isso

Na terça-feira (23 de setembro), a TechCrunch noticiou que a Ema, startup de Mountain View, fechou uma rodada série B de US$ 77 milhões. Lideraram a rodada Creaegis, Accel, Section 32 e Prosus. A empresa já soma US$ 140 milhões captados desde a fundação, em 2023.

A Ema vende o que chama de "funcionários de IA": times de agentes que automatizam processos inteiros de RH, TI e financeiro. Os clientes incluem PwC, KPMG, Microsoft e Hitachi, segundo a própria companhia.

O cofundador Surojit Chatterjee resumiu a tese pro veículo. Muitos clientes já estão a caminho de eliminar de vez a dependência de grandes sistemas corporativos. Esses sistemas, disse ele, estão virando, na prática, só um banco de dados.

Segundo a Ema, mais de 90% dos clientes expandiram o uso além do caso inicial, e a receita cresceu 50 vezes em dois anos. São números da própria empresa, não de uma auditoria independente. Ainda assim, o tamanho da aposta, e dos nomes que assinaram o cheque, já diz alguma coisa sobre pra onde o mercado está olhando.

"Isso é coisa de multinacional" é a ideia errada

O reflexo natural é pensar que isso não te diz respeito. Afinal, PwC e Microsoft têm times de dados e orçamento de sobra. Eu discordo dessa leitura.

A pequena empresa tem uma vantagem aqui: menos gente pra convencer. Não existe comitê de compliance. Não existe um ano de piloto antes de qualquer mudança.

Se o dono decide testar um agente lendo e escrevendo dados num sistema pequeno, a decisão sai da mesa e vira ação na mesma semana. A complexidade que trava a multinacional é, ironicamente, o que falta na PME pra travar do mesmo jeito.

O que muda no dia a dia de quem usa o sistema

Virar "banco de dados" quer dizer uma coisa concreta. Em vez de a equipe abrir tela, clicar em cinco menus e preencher formulário, ela passa a pedir pro agente. O agente lê e grava informação direto na base do sistema, usando a integração que a ferramenta já oferece.

Na distribuidora do exemplo, isso significa perguntar ao agente quantas unidades de um produto sobraram no estoque, e receber a resposta na hora. Sem abrir tela nenhuma. Ou pedir pra ele emitir a nota de um pedido específico.

A tela continua existindo, pra quem prefere ou precisa dela. Só que deixa de ser o único caminho.

Isso significa que devo cancelar meu sistema agora?

Não. A maioria dos sistemas pequenos ainda não tem uma integração aberta o bastante pra isso funcionar bem hoje. O primeiro passo é testar, não trocar de fornecedor.

Só empresa de tecnologia consegue fazer esse tipo de teste?

Não necessariamente. Depende de quanto do seu sistema atual já expõe dados por API. Alguns sistemas populares no Brasil já oferecem isso, outros nem perto.

O que fazer esta semana

  1. Liste os três sistemas mais caros que a empresa paga todo mês.

  2. Para cada um, anote quais telas a equipe realmente usa no dia a dia.

  3. Pergunte ao fornecedor se existe uma API para ler e escrever dados no sistema.

  4. Peça a alguém, interno ou um consultor, pra testar um agente consultando ou atualizando um cadastro por essa API, fora da tela normal.

  5. Decida, com esse teste em mãos, se vale negociar um plano menor ou manter o pacote completo.

O que esperar dos próximos 12 meses

Não dá pra saber ainda se esse modelo vai funcionar bem pra sistemas pequenos e baratos, ou só pra pacotes corporativos caros como os da Ema. É uma aposta. Não é um fato consolidado.

Minha opinião: o caminho mais provável é que fornecedores de sistemas menores comecem a vender acesso via API como diferencial. Perceberam que é isso que vai decidir quem sobrevive na próxima geração de ferramentas. Quem tiver esse acesso pronto sai na frente.

Vale conversar sobre isso antes de renovar o próximo contrato, não depois.

O futuro da sua empresa não pode esperar por testes amadores.

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